domingo, 15 de agosto de 2010

Como comunicar com os ETs?

“A natureza é um livro escrito em linguagem matemática” - Galileu Galilei
Um dilema se colocou aos astrónomos. Como comunicar e em que língua? Neste xadrez espacial e com uma civilização radicalmente diferente, seria pura coincidência a compreensão da nossa linguagem, razão porque, segundo parecer de especialistas, o único sistema de comunicação de âmbito universal só pode ser a matemática. Não existe outra.
O alfabeto inglês, também qualificado de universal, ou qualquer outro a que se recorra na actualidade, limita-se meramente à comunicação interculturas neste planeta, pelo que deixa de ter qualquer sentido e de nada servirá nas comunicações interestelares. Este sistema de trabalho já estava previsto desde o início, tendo sido utilizado por Drake, em 16/11/1974, com o telescópio de Arecibo (Porto Rico), onde envia uma mensagem em direcção a um enxame estelar, designado por M13, na constelação de Hércules, a 25.000 anos-luz de distância e contendo cerca de 300.000 estrelas.
Os caracteres dessa mensagem (imagem em anexo), formam uma matriz matemática bidimensional, constituída por 1679 dígitos, cuja finalidade era constituir as bases de uma linguagem interestelar, e que para quem souber descodificar contém sete secções, de cima para baixo, com as seguintes informações: a primeira, fazendo uma explicação do que contém a mensagem, utilizando como base os números de 1 a 10; a segunda, representando os elementos do ADN; a terceira, os elementos dos seus nucleotídeos; a quarta, a representação gráfica da dupla hélice do ADN humano; a quinta, uma representação do ser humano e a sua estrutura física; a sexta, uma representação do sistema solar, nele se destacando o planeta Terra; e, por fim, a oitava, explicando a origem da mensagem e a configuração do radiotelescópio que a emitiu. Por curiosidade, o sinal foi tão forte que podia ser detectado em qualquer lugar da galáxia. Várias respostas à mensagem surgiram, mas depois de analisadas foram todas rejeitadas por falsas.
A resposta pode demorar anos, mas ela pode surgir. Para quem argumenta que a nossa civilização necessita de mais evolução e tecnologia mais aperfeiçoada, pode estar enganado. O problema não é só dos terrestres, mas também da parte dos potenciais ETs. Razão fundamental: as enormes distâncias interestrelares que todos terão de vencer. A velocidade da luz não é fácil de ultrapassar!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Spirit recusa-se a morrer!

Encarregado de explorar o solo marciano, a sonda Spirit, que iniciou a sua missão há seis anos, está em riscos de não poder continuar a realizar cabalmente os seus objectivos. Atolado em pó e com duas rodas bloqueadas foram efectuadas várias tentativas para o retirar da sua imobilidade. Curiosamente, ela mantém-se em actividade pelo que a NASA se prepara para a utilizar como estação científica fixa.
Cinco, dez, quinze e muitos mais anos podem sobreviver estes equipamentos de exploração no sistema solar, muito para além da duração que foi inicialmente programada.
As sondas morrem de pé!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Astrónomo português...pois claro!

Graças a uma excelente imagem da Nebulosa de Orion (M42), o astrónomo amador portugês, de nome Luís Miguel Santos, astrofotográfo do grupo da Atalaia e fazendo parte da APAA-Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores, arrecadou o prémio mundial da competição Beyond Earth (Para Além da Terra), integrado no Galilean Nights, um dos projectos-chave do Ano Internacional da Astronomia (AIA2009), sendo aliás um elemento já conhecido a nível nacional.
Com este trabalho, a acrescentar a muitos outros que prestigiam o grupo dos astrónomos amadores portugueses, temos mais um elemento a relevar a ciência do espaço, na componente da astronomia amadora que muito se tem espalhado pelo terriotório nacional.
Parabéns Luís Santos!
Imagem: crédito Luis Santos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Encontrada a Estrela de Belém!

Centenas de historiadores, investigadores, biblicistas, astrónomos e demais interessados por este grandioso e enigmático tema, procuram, com ânsia e paixão, há dois milénios, a estrela de Belém. Encontrada esta, ficamos muito próximos da data do nascimento de Cristo. Alguns astrónomos lançaram-se a essa tarefa, fizeram a busca e encontraram-na.
Ela transmitiu o primeiro sinal em Agosto/Setembro de 0003 a.C. (data da anunciação a Maria), surgiu depois por uma segunda vez em Março de 0002 a.C. (sinal da preparação para a viagem dos magos a Belém), e finalmente transformou-se, com o seu máximo esplendor, na estrela maravilhosa no dia 17/06/0002 a.C. (data provável do nascimento de Cristo)....!

A astronomia investigou fenómenos e movimentos celestes, manuseou e conciliou datas com os textos bíblicos, procurou pontos de convergência com a cronologia histórica, desvendou algumas palavras enigmáticas da tradução hebraica e do grego...Enfim, um trabalho de três anos de pesquisa sobre a Bíblia, Imperadores Augusto e Tibério, a História dos Hebreus, de Josefo, permitiram concluir ao autor que existe uma data para celebrar o nascimento de Cristo...!
Foi de facto encontrada a estrela de Belém!

Fernando Góis

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mercúrio esse desconhecido!

A imagem da NASA, captada pela Messenger, revela-nos um Mercúrio em cuja superfície estão bem patentes os vestígios de impactos, choques, ricochetes e entrechoques do material existente e em movimento no espaço, logo após a formação dos planetas, sendo vítimas desse “caos” os mais próximos do Sol, caso de Mercúrio, Vénus, Terra e Marte. O nosso planeta azul, graças à sua atmosfera, erosão e dinamismo interno, lentamente se foi libertando de tais vestígios, o que não aconteceu com o escaldante Mercúrio e o nosso satélite natural, a Lua, cujas imagens por vezes se confundem.
Estas crateras de impacto, deixam imaginar um cenário terrífico, quase de “guerra” espacial entre matéria, com intenso bombardeamento proveniente dos confins de um sistema solar menos vasto do que o actual, bastante “comprimido” pela existência de muitos corpos pressionando-se uns aos outros e permitindo abrir um longo “fogo de artificio” sobre Júpiter e Saturno cuja gravidade susteve bem esses movimentos e até nos resguardaram, segundo os astrónomos, de uma eventual catástrofe.
Quando os cientistas se interrogam sobre os enigmas da vida na Terra, de imediato vem a terreno outra questão. Qual seria a nossa posição, hoje, dentro do sistema solar, se aqueles gigantes não tivessem desempenhado as funções de guardiães nos primeiros 700 milhões de vida iniciais, o tal período de “guerra, bombardeamento e de terror” entre a matéria do sistema solar?
Provávelmente, sem posição privilegiada no espaço, o MILAGRE DA VIDA não teria acontecido e...não estaríamos aqui usufruindo das suas gratificantes condições!
Obrigado aos gigantes Júpiter e Saturno por esta linda estadia!!!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Hubble em fim de missão!

Foram 10 dias altamente stressantes perante uma das aventuras mais arriscadas no espaço. Ali não havia equipamentos auxiliares da Estação Espacial Internacional, um futuro porto de abrigo, em ambiente de microgravidade, mas que contém acessários e toda a espécie de apoio para os astronautas se sentiram mínimamente cómodos perante tantos inconvenientes que o espaço lhes pode proporcionar.
Cientes desses riscos, as tarefas foram cumpridas com rigor, segurança e... paciência. A missão terminou sem necessidade de accionar o plano de emergência, que constaria no lançamento de outro space shuttle (o Discovery) a partir de Cape Canaveral, socorrendo os primeiros astronautas caso ocorresse uma forte causa que o justificasse. Valeu-lhes, pois, a experiência de homens veteranos nas andanças de reparações do Hubble, elementos que haviam já participado em duas missões anteriores.
Nunca como até agora, à excepção das missões Apolo na Lua, se mediatizou tanto o novo observatório espacial que ganhou novos "olhos", por mais 5 anos, podendo proporcionar-nos muitas mais belíssimas imagens dos objectos longínquos do espaço. Só que, a partir de 2014/2015, o Hubble reformar-se-á por completo. Será substituído pelo "James Web", um nome muito conhecido e considerado em várias missões da NASA.
Levará equipamentos muito mais sofisticados e tecnologia de ponta para nos próximos anos observar os confins do Universo.
Obrigado Hubble pelos novos mundos que nos acrescentaste.

Imagem: crédito NASA

terça-feira, 28 de abril de 2009

Revolução nos telescópios!

Aproxima-se uma grande revolução nas janelas do espaço a partir da Terra. São dois telescópios especiais classificados de multiciência, um no hemisfério norte e outro no hemisfério sul do continente americano que contêm equipamentos altamente sofisticados, de hiper resolução e definição em termos de imagens. O primeiro, o Large Synoptic Survey Telescope (LSST), ficará no Chile, equipado com um espelho de 8,4m de diâmetro cuja óptica pesa 24 toneladas. É este espelho que anuncia uma revolução na maneira de observar o céu. Apontará para todos os pontos celestes, medindo-os até à dimensão de um buraco de um agulha, espreitando todos os pormenores até os mais ínfimos, de forma a descodificar os dados que os seus olhos possam alcançar, abrangendo um enormíssimo campo de visão. E tudo isso com uma rapidez inédita, por mais débeis que sejam os objectos, até à magnitude 24 (os nossos olhos detectam até ao limite 5). De grande mobilidade, ele poderá digitalizar o céu em três noites. Será um gigante com uma abertura espantosa e a relação focal/diâmetro da ordem dos 1,2. A sua câmara digital de 3.200.000.000 megapixel, captará, a cada 15 segundos, um campo de visão de cerca de 10º quadrados, equivalente a uma área preenchida no céu de 40 luas cheias.
A cartografia celeste tornar-se-á altamente dinâmica, ficando gravada de três em três dias, caso dos enigmáticos raios gama, explosões de supernovas, ocultações de astros por outros, estrelas variáveis, astros com núcleos activos, a medição do volume da matéria e energia escuras e as mais longínquas galáxias. Em 10 anos, ele será capaz de observar e registar os astros cerca de 1.000 vezes.
O Pan-Starrs, outro telescópio gémeo, detentor de idêntica tecnologia, ficará instalado no Hawai. Com espelhos conjugados de 4x1,80m, e equipado com a maior câmara digital até hoje construída, fará prioritariamente a vigilância de todos os asteróides, um polícia permanente na detecção e identificação rápida daqueles perigosos objectos. Recolherá elementos úteis sobre as suas trajectórias desviantes de forma a precaver meios de segurança para o nosso planeta, pelo que permitirão seguir em directo e de forma rápida os pormenores dos movimentos e mudança do Universo.
Imagem: crédito LSST